Um estudo hoje publicado na revista norte-americana Science Translational Medicine revela um grande passo para a cura da doença de Parkinson. Trata-se de uma nova terapia genética, a primeira baseada num vírus de cavalo directamente injectado no cérebro.

Os testes preliminares, realizados por uma equipa do Centro de Investigação Molecular de Fontenay-aux-Roses, em França, provaram que é possível obter a melhoria da motricidade e da qualidade de vida até um ano depois do tratamento.

Parkinson, a doença neurodegenerativa mais frequente depois de Alzheimer, afecta cerca de 20 mil pessoas em Portugal e 6,5 milhões no mundo, crescendo proporcionalmente ao aumento da esperança de vida da população.

Terapia eficaz nos macacos
Nos macacos, esta terapia nova genética permitiu “80% de recuperação, com resultados estáveis até 44 meses depois da injecção do tratamento”, afirmou Béchir Jarraya, neurocirurgião do Hospital Henri Mobdor, na região de Paris, onde está a decorrer um ensaio clínico em humanos.

Os cientistas simularam a doença de Parkinson em macacos através da administração de uma neurotoxina que lhes provocou os tremores, a rigidez a postura instável que lhe são característicos.

Em seguida, injectaram-lhes um vírus de cavalo sem perigo para o homem, o vírus da anemia infecciosa equina (VAIE), pertencente à família dos lentivírus, que “esvaziaram e encheram” com três genes essenciais (TH, AADC e CH1) ao fabrico da dopamina pelo cérebro.
É a perda de dopamina que provoca o descontrolo dos movimentos do corpo e o tratamento normal consiste na administração de medicamentos que aumentamo nível dessa substância no cérebro, mas não ao ponto de assegurarem um funcionamento normal.

Seis doentes foram cobaias
A primeira fase do ensaio envolveu seis pacientes, os primeiros dos quais foram tratados há já um ano, e a segunda abrangerá doze. “Um ensaio com um número alargado de pacientes (fase 3) não será feito antes de 2013”, segundo Stéphane Palfi.

Os resultados nesses doente – “uma resolução das discinesias” (movimentos ou posturas anormais) obtida “sem efeitos secundários (inflamação cerebral, por exemplo) – são “extremamente encorajadores”, sublinhou Palfi.

O tratamento (proSavin) é produzido pela sociedade britânica Oxford biomedica, promotora do ensaio humano.